VISÃO PROFÉTICA

By Vitor Lima


“ORA, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.
E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Assim partiu Abrão como o SENHOR lhe tinha dito...” Gn 12:1 a 4


Certa vez ouvi um pregador dizer, que visão profética não é nada mais do que “saber onde estou, e pra onde vou”. Tenho a cada dia a sensação de que é esse o maior desafio que enfrentamos no ministério.
Não se trata de estar perdido, mas de possuir uma firme e sólida convicção daquilo que Deus quer, de nossos projetos futuros, e tentar não basear tudo em sensações e sombras.
Grandes erros são cometidos por causas de nossas sensações, a bíblia em muitas passagens nos adverte sobre o perigo de confiarmos em nós mesmos; e por isso pergunto, porque ainda insistimos em fazer isso? Porque insistimos em submeter a Palavra de Deus às nossas percepções pessoais e não o contrário?
Costumamos dizer que Abraão deu um tiro no escuro, ao deixar sua terra e parentela como diz o texto e seguir com sua casa para um lugar até então desconhecido. De certa forma houve muita ousadia em sua escolha, isso é inegável, mas há um elemento em toda essa história, que não podemos ignorar, pois há uma gritante diferença entre não saber onde está indo, e não saber pra onde Deus está te levando. Abraão não foi às cegas, ele tinha a voz de Deus, tinha um direcionamento do Pai, sabia o que estava fazendo perfeitamente.

“Partiu, pois Abraão, como lho ordenara o Senhor...” vers. 4

E eu, onde estou?
Como posso ter a certeza de que daqui de onde estou eu poderei ouvir a voz de Deus? Pois pra sabermos o que Ele quer, precisamos poder ouvi-lo, e Deus não nos fala de qualquer jeito. Ele não diminui os seus padrões, não trata com o pecado, não sussurra em ouvidos sujos. Precisamos, portanto do Sangue da cruz diariamente, pois só através do sacrifício, somos religados ao Pai, e podemos ouvi-lo. Eu sei que isso parece óbvio, principalmente pra você que já é cristão há muitos anos, mas deixe-me fazer uma pergunta, que me faço sempre; há quanto tempo você não ouve a voz de Deus, te direcionando nas escolhas de sua vida? Talvez estejamos esquecendo um pouco o óbvio.

E pra onde estou indo?
Você já se pegou alguma vez caminhando, pensando em um monte de coisas, até que precisou parar e se perguntar, “peraí, pra onde eu estou indo?” Pois é, eu também. E a questão é que por mais que não pudesse dizer o nome de um lugar ou sua exata localidade, Abraão tinha uma resposta muito tranqüila a essa pergunta, “estou indo pra onde Deus quer”. Essa é a segurança que nos mantém de pé, isso é confiança, não cega, mas consciente.

Não podemos deixar que a vida, o ritmo das coisas, e a quantidade de exigências e estímulos que recebemos diariamente, tornem mecânica a nossa fé, e façam com que nosso desenvolvimento ministerial seja todo pautado em cumprir metas e realizar coisas sem errar. Não quero perder o prazer de uma boa meditação, sem obrigação de preparar uma pregação “pra hoje à noite”, não quero perder a satisfação de usar a música pra adorar a Deus sem ter de preparar algum arranjo, ou montar uma ministração. E mais, quero ter o prazer de olhar pra janela, admirar a criação, curtir uma praia, ler um bom livro, estar com a namorada, os amigos, orar pelo meu irmão, abraçar com amor o necessitado, sentar pra ouvir a sabedoria doa anciãos, sem crise, sem hora marcada, sem desespero.

Concluo que a única maneira de alcançar isso, é conquistando a tranqüilidade de saber quem sou, e pra onde vou. Enquanto vivermos sem essa certeza, correremos atrás do vento, e certamente, dentro de muito pouco tempo, estaremos muito cansados. Precisamos aprender a ouvir a voz de Deus, e depois descansarmos Nela, sabendo que o que chamou também é o que sustenta, e assim, redescobrirmos a alegria e o prazer da Salvação.

“Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu.” Salmo 43:4


A paz!
 

Jesus no Getsêmani

By Vitor Lima

Costumeiramente, falamos sobre um Deus que realiza sonhos, cumpre promessas e opera milagres e maravilhas. Conhecemos com prazer essas facetas do caráter de Deus, experimentamos diariamente seu cuidado e seu carinho por nós, e achamos que nisto se resume a vida cristã.


Porém, se analisarmos com cuidado o evangelho, e até mesmo as nossas próprias vidas, descobriremos outra faceta de seu caráter que a igreja hoje tem tentado esquecer, ignorar, ludibriar... a realidade de que Deus é Soberano. Diante disso, temos que responder dentro de nós, a uma pergunta que é inicialmente perturbadora, mas que pode ser uma libertação em nossa alma. E se Deus não fizer?

Essa é aquela hora onde não tem emoção e arrepio nenhum, não tem cânticos de alegria, aqueles momentos onde só o que temos é a angustia e algumas certezas, que a própria angustia tenta minar. Jesus passou por um desses momentos, sentindo uma angustia tamanha que homem nenhum foi capaz de sentir nesta terra. Em Mateus 26: 36 a 46 percebemos o momento do Mestre no Getsêmani, esse momento onde não havia nenhuma festa, nenhum arrepio, esse momento tão seco, que os discípulos nem conseguiram resistir ao sono, foi exatamente ali, que a maior vitória da humanidade, que as bases de todo plano de salvação, que os princípios que direcionavam toda a missão de Jesus Cristo na terra, eram estabelecidos. Um dos momentos mais importantes do cristianismo aconteceu assim, sem nada.

Não deve ter sido fácil pro Pai, dizer um não pra Jesus. Tanto que ele nem respondeu, permaneceu em silêncio, o mesmo silêncio que participa de muitas das fases de nossa vida, o silêncio que cura, que edifica e amadurece o cristão.

Não precisamos sentir, ouvir, nem ver nada para sabermos que Ele controla tudo. Apesar de toda angustia, Jesus sabia que Sua vontade era o melhor plano, e disse: “todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”. Foi essa postura que tornou grandes, todos os homens da bíblia. Foi confiando em Deus, que Abraão foi justificado, que Moisés libertou todo o povo, que Davi venceu um gigante 2 vezes maior do que ele, que Gideão com 300 homens destruiu um exército inteiro, e que Paulo sofreu inúmeras aflições com alegria.

Deus não quer que sejamos os mesmos crentes sempre, é desejo Dele que seus filhos cresçam, e talvez sua principal arma seja o silêncio. Jesus naquele lugar, não podia contar com seus amigos (estavam todos dormindo), com a voz de seu Pai (a mesma que a 3 anos o havia declarado com filho amado), havia apenas um anjo, que o tentava confortar mas não diminuía sua angústia (Lc 22: 43, 44).

Jesus entendeu o recado de Deus, sua oração foi respondida, e com muita clareza. Ele se levanta, e vai cumprir seu propósito, sem mais nenhuma dúvida, sem nenhuma possibilidade de ratear, desistir. Ele levanta tão firme, que a chegada dos soldados não o descontrola, nem a traição de Judas.

Espero que esta palavra sirva, pra fortalecer nossas certezas, esses momentos nos trazem muitos questionamentos, muitas dúvidas, mas precisamos entender o recado, e ir à luta. O projeto de Deus pra nós é muito maior, grandes coisas estão por vir, grandes coisas estão para acontecer, e Deus quer contar com jovens fortes e firmes.

É chegado o tempo, levantemos e vamos à luta!