VISÃO PROFÉTICA
“ORA, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.
E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Assim partiu Abrão como o SENHOR lhe tinha dito...” Gn 12:1 a 4
Certa vez ouvi um pregador dizer, que visão profética não é nada mais do que “saber onde estou, e pra onde vou”. Tenho a cada dia a sensação de que é esse o maior desafio que enfrentamos no ministério.
Não se trata de estar perdido, mas de possuir uma firme e sólida convicção daquilo que Deus quer, de nossos projetos futuros, e tentar não basear tudo em sensações e sombras.
Grandes erros são cometidos por causas de nossas sensações, a bíblia em muitas passagens nos adverte sobre o perigo de confiarmos em nós mesmos; e por isso pergunto, porque ainda insistimos em fazer isso? Porque insistimos em submeter a Palavra de Deus às nossas percepções pessoais e não o contrário?
Costumamos dizer que Abraão deu um tiro no escuro, ao deixar sua terra e parentela como diz o texto e seguir com sua casa para um lugar até então desconhecido. De certa forma houve muita ousadia em sua escolha, isso é inegável, mas há um elemento em toda essa história, que não podemos ignorar, pois há uma gritante diferença entre não saber onde está indo, e não saber pra onde Deus está te levando. Abraão não foi às cegas, ele tinha a voz de Deus, tinha um direcionamento do Pai, sabia o que estava fazendo perfeitamente.
“Partiu, pois Abraão, como lho ordenara o Senhor...” vers. 4
E eu, onde estou?
Como posso ter a certeza de que daqui de onde estou eu poderei ouvir a voz de Deus? Pois pra sabermos o que Ele quer, precisamos poder ouvi-lo, e Deus não nos fala de qualquer jeito. Ele não diminui os seus padrões, não trata com o pecado, não sussurra em ouvidos sujos. Precisamos, portanto do Sangue da cruz diariamente, pois só através do sacrifício, somos religados ao Pai, e podemos ouvi-lo. Eu sei que isso parece óbvio, principalmente pra você que já é cristão há muitos anos, mas deixe-me fazer uma pergunta, que me faço sempre; há quanto tempo você não ouve a voz de Deus, te direcionando nas escolhas de sua vida? Talvez estejamos esquecendo um pouco o óbvio.
E pra onde estou indo?
Você já se pegou alguma vez caminhando, pensando em um monte de coisas, até que precisou parar e se perguntar, “peraí, pra onde eu estou indo?” Pois é, eu também. E a questão é que por mais que não pudesse dizer o nome de um lugar ou sua exata localidade, Abraão tinha uma resposta muito tranqüila a essa pergunta, “estou indo pra onde Deus quer”. Essa é a segurança que nos mantém de pé, isso é confiança, não cega, mas consciente.
Não podemos deixar que a vida, o ritmo das coisas, e a quantidade de exigências e estímulos que recebemos diariamente, tornem mecânica a nossa fé, e façam com que nosso desenvolvimento ministerial seja todo pautado em cumprir metas e realizar coisas sem errar. Não quero perder o prazer de uma boa meditação, sem obrigação de preparar uma pregação “pra hoje à noite”, não quero perder a satisfação de usar a música pra adorar a Deus sem ter de preparar algum arranjo, ou montar uma ministração. E mais, quero ter o prazer de olhar pra janela, admirar a criação, curtir uma praia, ler um bom livro, estar com a namorada, os amigos, orar pelo meu irmão, abraçar com amor o necessitado, sentar pra ouvir a sabedoria doa anciãos, sem crise, sem hora marcada, sem desespero.
Concluo que a única maneira de alcançar isso, é conquistando a tranqüilidade de saber quem sou, e pra onde vou. Enquanto vivermos sem essa certeza, correremos atrás do vento, e certamente, dentro de muito pouco tempo, estaremos muito cansados. Precisamos aprender a ouvir a voz de Deus, e depois descansarmos Nela, sabendo que o que chamou também é o que sustenta, e assim, redescobrirmos a alegria e o prazer da Salvação.
“Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu.” Salmo 43:4
A paz!
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